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Para onde vai a cotação do dólar? 29/01/2013 às 11h56

29/01/2013

Câmbio

Ontem, o Banco Central do Brasil (BCB) fez a rolagem antecipada de swaps cambiais tradicionais, com vencimento em 01/02/13 – em montante aproximado de US$ 2 bi. Vale lembrar que no swap tradicional o BCB fica posicionado na moeda local (R$), enquanto que os compradores do swap ficam posicionados no dólar (US$).

Dessa forma, percebe-se que o mercado ainda tem interesse em manter posição em dólar contra o real, já que em caso contrário não teria interesse em renovar tal operação, rolando sua posição. Além disso, o mercado deve ter considerado interessante a “baixa” cotação do dólar à vista para servir como ponto de partida para acumular a rentabilidade dolarizada da operação.

Caso o dólar à vista estivesse “caro”, o interesse do mercado poderia ser menor ou, para compensar o fato, a taxa de juros (cupom cambial) exigida pelo mercado para a rolagem do swap teria que ser bem alta.

A imprensa costuma dizer que a venda do swap cambial é equivalente a uma venda de dólar à vista, já que o BCB se posiciona na venda de um ativo dolarizado e que, por isso, pressiona para baixo a cotação do dólar à vista.

Entretanto, deve-se observar que para o mercado, que comprou o swap – e ficou aplicado em ativo dolarizado -, a operação significa a possibilidade de fazer um hedge (ou mesmo especular) caso aconteça um movimento de alta do dólar frente ao real daqui em diante, até o vencimento da operação.

Dessa forma, percebe-se que há interesse do mercado na operação. Por outro lado, caso o BCB vendesse um swap reverso, em vez do tradicional, o mercado ao comprar tal swap se posicionaria na moeda local (R$), enquanto que o BCB teria ficado posicionado no dólar (US$) – exatamente o inverso do que foi feito. No caso do swap reverso a aposta do mercado se daria na desvalorização do dólar frente ao real.

Então cabe perguntar: por que o BCB vendeu swap tradicional e não swap reverso. Se o BCB entende que o mercado sempre procura antecipar os movimentos da autoridade monetária e, nesse momento, de segurar ou até derrubar a cotação do dólar para conter a inflação, ele deveria sancionar tal movimento vendendo o swap reverso e sinalizando que essa seria a sua intenção – e não o contrário. Dentro dessa lógica, o mercado se posicionaria no swap reverso, esperando a queda da cotação do dólar para obter lucro com a operação.

Entretanto, parece que o BCB está sinalizando exatamente o contrário ao vender o swap tradicional: um dólar para cima, já que estaria sinalizando ao mercado que a sua cotação deve subir e não cair. E o mercado abraça a sinalização e entra na operação comprando o ativo dolarizado na esperança de obter lucro com ela – e não prejuízo.

Assim, das duas uma: ou mercado enlouqueceu e deu um tiro no pé ao se posicionar na ponta ativa do dólar no swap vendido pelo BCB ontem, quando espera que a cotação do dólar caia, ou o BCB errou ao dar uma sinalização enviesada (invertida) ao mercado de seu próprio interesse – no caso a valorização do real frente ao dólar. Isto é, nesse caso deveria ter vendido um swap reverso ao mercado e não o tradicional como fez.

Vale ressaltar que a relação do BCB com o Mercado não é trivial e, normalmente, é feita por meio de sinalizações que devem ser avaliadas segundo a teoria dos jogos. Só assim será possível prever o que, de fato, está na cabeça do BCB.

Bons negócios!

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