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Lógica reversa e teoria da conspiração – 23/11/2012

23/11/2012

Salvo engano, não me lembro de ver o Banco Central do Brasil (BCB), impor grandes prejuízos de maneira intencional ao mercado financeiro (mormente aos bancos) desde os idos do Prof. Affonso Celso Pastore, quando presidiu essa instituição de 1983 a 1985. Ou terá sido desde que Ibrahim Eris foi presidente da instituição, entre 1990 e 1991 – com o famigerado Plano Collor?

Não importa. O que de fato importa é que dentro dessa perspectiva justifica-se plenamente o BCB ter agido da forma que agiu hoje, ao vender swap cambial tradicional e resgatar antecipadamente swap cambial reverso da mão do mercado financeiro sob a justificativa, aparentemente racional, de que pretendia colocar um freio na escalada da cotação do dólar.

Para acompanhar meu raciocínio, vale lembrar que os swaps cambiais são instrumentos derivativos que permitem, de uma maneira simplificada, a troca do referencial de rentabilidade dessa operação entre o dólar e o real.

Dessa forma, o BCB permite que os investidores/instituições financeiras fiquem “tomados” em dólar + juros (cupom de dólar) e, simultaneamente, “aplicados” em juros (Selic) – no caso dos swaps cambiais reversos. Ou “aplicados” em dólar + juros (cupom de dólar) e, simultaneamente, “tomados” em juros (Selic) – no caso dos swaps cambiais tradicionais.

Portanto, partindo-se da premissa de que será como “enxugar gelo” tentar conter a valorização do dólar no mercado local daqui para diante, o BCB, parceiro dos bancos, implementou essas operações.

Chamei o BCB de parceiro dos bancos no bom sentido porque, afinal de contas, ele depende do mercado para dar liquidez e carregar os títulos que o Tesouro Nacional emite. Dessa forma, é bom tê-los como “amigos” e “parceiros” a quem, normalmente, gostamos de agradar.

Acompanhe o raciocínio reverso:

– caso o dólar se valorizasse e os bancos detivessem posições compradas em swap reverso (situação na qual teriam apostado na desvalorização do dólar frente ao real), iriam perder muito dinheiro;

– caso o dólar se valorizasse e os bancos não detivessem posições compradas em swap tradicional (situação na qual teriam apostado na valorização do dólar frente ao real), iriam deixar de ganhar muito dinheiro.

Sendo assim, o BCB, amigo e parceiro dos bancos, realizou as seguintes operações hoje:

– comprou de volta antecipadamente os swap reversos que o mercado detinha em posição e simultaneamente vendeu para ele os swap tradicionais para que o mercado passasse a deter posições líquidas desse derivativo.

Agora é só imaginar o que irá acontecer quando o dólar voltar a se valorizar frente ao real…

O BCB irá repetir a dose sob o pretexto de combater a sua valorização ou impedir a especulação? E o resultado das novas posições assumidas pelo mercado?

Certamente há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.

Bons negócios!

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