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Variações Monetárias: O vilão dos resultados do 2TRI/12 – 03/08/12 às 10h30

03/08/2012

Temos visto, ao longo da divulgação dos resultados para o 2TRi/12, que várias companhias negociadas na BM&FBovespa têm apresentado lucros líquidos inferiores aos seus lucros operacionais deduzidos do imposto de renda (EBIT (1-t)), por conta tanto do pagamento de juros sobre suas dívidas quanto em decorrência das chamadas “variações monetárias” que acabam por impactar negativamente os seus resultados.

Isso tem acontecido com frequência, e a razão é simples: muitas dessas companhias possuem elevadas dívidas atreladas ao dólar – ou a outra moeda forte.  Como o dólar se valorizou cerca de 11% no período (30/03/12 – R$ 1,8215/US$ a 29/06/12 – R$ 2,0207/US$) de apuração do resultado do 2TRI/12, as dívidas em dólar dessas companhias aumentaram com essa desvalorização, tendo afetado negativamente seus respectivos resultados trimestrais.

Vale, Petrobras, Embraer, Usiminas, Suzano entre outras, são exemplos recorrentes dessa situação “atípica”. Bastou ter dívida grande em moeda forte, que lá vem elas justificando o fraco resultado financeiro decorrente dessas variações monetárias e enaltecendo seu desempenho operacional – se é que este foi positivo, dada a desaceleração econômica mundial.

Vejam a justificativa dada por uma dessas companhias para o seu resultado financeiro:

De fato, quando não se consideram essas “variações não caixa”, o resultado final fica “mais palatável”. Dessa forma, o destaque negativo dos resultados apresentados por elas fica “minimizado” pelas variações monetárias ocorridas que, apesar de impactarem o resultado contábil, não afetam o fluxo de caixa – geração de caixa das companhia.

Nesse sentido, há dois efeitos colaterais importantes a considerar em qualquer análise:

1- a dívida da companhia aumentou na proporção da desvalorização da moeda;

2- apesar do efeito contábil ser “não caixa”, ele afeta o lucro líquido contábil da companhia e, por tabela, o pagamento dos dividendos para os acionistas, já que este é baseado no lucro líquido contábil ajustado por alguns elementos como a constituição de reservas legais entre outros.

Dessa forma, duas medidas poderiam ser tomadas para evitar esses efeitos colaterais.

Medida preventiva: realizar o hedge para proteção da dívida frente a variações adversas da moeda na qual ela é referenciada.

Medida corretiva: calcular os dividendos a serem pagos ao acionista com base no lucro líquido acrescido das variações monetárias. Ou seja, pagar os dividendos com base no lucro operacional após impostos (EBIT (1-t)), se o lucro operacional tiver sido positivo.

Assim, caso a direção da companhia não tenha agido a tempo para “proteger” a dívida da companhia via hedge, então não prejudicaria o retorno do acionista, ao reduzir o dividendo potencial a ser pago para ele – como, em geral, acontece.

Vale ressaltar que não se questiona o fato de que possa ser favorável à companhia ter alguma proporção de dívida em sua estrutura de capital, já que ela pode se apropriar do benefício fiscal decorrente da existência da dívida. Seja essa dívida tomada em moeda local ou estrangeira. Entretanto, não se pode esquecer de que a constituição e carregamento de uma dívida implica na sua adequada gestão.

Além disso, quando a direção da companhia ressalta que essas variações monetárias são “não caixa” e que, portanto, não afetam o fluxo de caixa da companhia ou sua geração de caixa, deve ser lembrado, também, que a geração de caixa da companhia não pertence, necessariamente, ao acionista.

Ou seja, ele pode deixar de ser beneficiado pelo fato de que o fraco desempenho financeiro da companhia não tenha se refletido negativamente no caixa da companhia. Porque, no final das contas, é a direção da companhia quem decide como deve ser utilizada essa geração de caixa: que pode servir para a realização de novos investimentos entre outras coisas, ou mesmo para o pagamento de dividendos “extras” aos acionistas da companhia.

Por fim, vale lembrar que quando analistas se dispõem a enaltecer os resultados operacionais das companhias em detrimento dos seus resultados financeiros líquidos – a última linha da demonstração de resultados (DRE) – é porque avaliaram positivamente o desempenho operacional da companhia.

Por outro lado, uma companhia endividada não pode viver apenas pela avaliação de seus resultados (operacionais) que não consideram as variações monetárias sobre suas dívidas, ou pela avaliação de sua capacidade de manter a geração de caixa do negócio; já que, em algum momento, ela deverá amortizar/quitar essa dívida e, para tanto, aquele caixa deverá ser utilizado…

Bons negócios!

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