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A zona do euro tem seus dias contados

22/06/2012

Imagine que você vai sair para jantar em um restaurante com um grupo de amigos. Como de hábito, a conta será dividida igualmente entre todos. Você, que é um sujeito ponderado, consome moderadamente. Entretanto, há aquele grupinho de amigos que não se priva de nada e só consome do bom e do melhor. O jantar atravessa a madrugada e, quando chega a conta, você deve pagar pelas extravagâncias daquele pequeno grupo de “perdulários”. Aí você se pergunta: é justo “socializar” a despesa? Devo pagar pelos abusos cometidos por eles?

Por mais amigos que sejam, se a situação tende a se repetir a cada nova saída para jantar, vai chegar um momento no qual você dará um basta! Nesse ponto,  só haverá três alternativas possíveis: controlar as despesas daquele grupo, barrar a entrada deles nos próximos jantares ou, simplesmente, se afastar e deixar de jantar com eles.

Após muitas tentativas de controle, você percebe que esse mecanismo não funciona. Então, terá que decidir entre expulsá-los do grupo ou parar de frequentar os jantares. Só que a decisão deve ser compartilhada por todos no grupo; e aí começa a confusão. A solução de continuidade do grupo demanda tempo, acordo entre as partes e, sobretudo, sacrifícios a serem assumidos por todos… Será que o acordo é viável? Há tempo para tanto, ou a situação já atingiu o limite do possível?

Essa é uma metáfora para o que acontece na Europa (zona do euro) atualmente. O euro, como instituição, está fadado ao fracasso. O projeto foi mal elaborado e, com vícios de origem, acabou por se mostrar inviável. A união monetária mostrou que não pode ser dissociada da união fiscal. Deu no que deu.

Anos de políticas econômicas fiscais diferenciadas e uma única política monetária levaram a união monetária da zona do euro ao seu limite. Há solução de continuidade para a atual situação? Infelizmente (ou felizmente) não!

Não é possível fazer com que países tão diferentes, com culturas, hábitos e situações dispares, de repente se transformem em uma “unidade” fiscal. Não existe tempo hábil para tal manobra a essa altura. Imaginar que se possa colocar Alemanha e Espanha, entre outros, no mesmo saco é imaginar que o povo alemão concordará em pagar a conta do povo espanhol e de outros. Difícil de acreditar…

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